1 – Incite, não informe
Uma boa aula
não termina em silêncio, ou com os alunos olhando para o relógio.
Ela termina com ação concreta. Antes de preparar cada aula,
pergunte-se o que você quer que seus alunos aprendam e façam e como
você os convence disso?
Olhe em volta, descubra o que pessoas, nas mais diferentes
profissões, fazem para conseguir a atenção dos outros. Por exemplo,
ao fazer um resumo de uma matéria, não coloque um
“título”; imagine-se um repórter e coloque uma
manchete. Como aquela matéria seria colocada em um jornal ou
revista? Use o espírito das manchetes, não seja literal, nem tente
ser um professor do tipo:
Folha: Números Primos encontrados no congresso. 68% dos outros
algarismos são contra.
IstoÉ: Denúncia: A conta secreta de Maurício de Nassau. Fernando
Henrique poderia estar envolvido, se já fosse nascido.
Zero Hora: O Mar Morto não fica no Rio Grande do Sul. Apesar disso,
você precisa conhecê-lo.
Caras: Ferro diz que relacionamento com oxigênio está corroído:
“Gás Nobre coisa nenhuma”.
2 – Conheça o ambiente
Você nunca vai conseguir a atenção de uma sala sem a conhecer. Onde moram os alunos e como eles vivem – quem vem de um bairro humilde de periferia não tem nada a ver com um morador de condomínio fechado, apesar de, geograficamente, serem vizinhos. Quais informações eles tiveram em classes anteriores, quais seus interesses. Mesmo nas primeiras séries cada pessoa tem suas preferências e o grupo assume determinada personalidade.
3 – No final das contas (e no começo também)
As partes
mais importantes de uma aula são os primeiros 30 e os últimos 15
segundos. Todo o resto, infelizmente, pode ser esquecido se você
cometer um erro nesses momentos.
Os primeiros 30 segundos (principalmente das primeiras aulas do ano
ou semestre) são um festival de conceituação e de cálculo dos
discentes. Mesmo inconscientemente, eles respondem às seguintes
questões:
- Quem é esse professor? Qual seu estilo?
- O que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano?
- Quanto da minha atenção eu vou dedicar?
E isso, muitas vezes, sem que você tenha aberto a boca.
4 – Simplifique
Você
certamente já presenciou esse fenômeno em algumas palestras: elas
acabam meia hora antes do final. Ou seja, o apresentador fala o que
tinha que falar, e passa o resto do tempo enrolando. Ou então,
pior, gasta metade da apresentação com piadas, truques de mágica,
histórias pessoais que levam às lágrimas, “compre meu
livro” e aparentados, e o assunto, em si, é só apresentado no
final – se isso.
Por isso, uma das regras de ouro de uma boa aula é –
simplifique, tanto na linguagem como na escrita. Caso real: reunião
de condomínio na praia, uma senhora reclamava que sua TV não
funcionava direito.
Explicaram-lhe que era necessário sintonizar em UHF. Ela então
perguntou para quê a diferença entre UHF e VHF. Um vizinho
prestativo passou a discorrer sobre diferenças na recepção, como
uma transmissão poderia interferir na outra, nas características
geográficas… Ela continuava com aquela cara de quem não
entendia nada. Até que um garoto resumiu a questão em cinco
letras:
“AM e FM.”
“Ahhh, entendi.”
Escrever e falar da maneira mais simples possível não significa
suavizar a matéria ou deixar de mencionar conceitos potencialmente
“espinhosos”. Use e abuse de exemplos e analogias.
Divida a informação em blocos curtos, para que seja melhor
assimilada.
5 – Ponha emoção
Certo, você
tem PhD naquela área, pesquisou o assunto por meses a fio, foi
convidado para dar aulas em faculdades européias. Mesmo assim, seus
alunos podem não prestar atenção em você. Segundo estudos, o
impacto de uma aula é feito de:
- 55% estímulos visuais – como você se apresenta, anda e
gesticula;
- 38% estímulos vocais – como você fala, sua entonação e
timbre;
- e apenas 7% de conteúdo verbal – o assunto sobre o qual
você fala.
Apoiar-se somente na matéria é uma forma garantida de falar para a
parede, já que grande parte dos alunos estará prestando atenção em
outra coisa. Treine seus gestos, conte histórias, movimente-se com
naturalidade. Passe sua mensagem de forma intererssante.
Para o bem e para o mal, você dá aula para a geração videoclipe.
Pessoas que foram criadas em frente aos mais criativos comerciais,
em que videogames mostram realidades fantásticas. Entretanto, a
tecnologia deve ser encarada como aliada, e não inimiga –
apresentações multimídia, aparelhos de som, videocassetes –
tudo isso pode ser usado como apoio à sua aula.
6 – A pedra no sapato
Pode ser a
bagunça da turma do fundão. No ensino médio e superior, pode ser
aquele aluno que duvida de tudo o que você diz pelo simples prazer
de duvidar. Ou pode até ser um livro esquecido, ou computador que
resolve não funcionar.
De qualquer maneira, grande parte do sucesso de sua aula depende de
como você lida com esses inesperados. Responda a uma pergunta de
maneira rude ou desinteressada, e você perderá qualquer simpatia
que a classe poderia ter por você. Seja educado e solícito –
a pior coisa que pode acontecer a um professor é perder a
calma.
A razão é cultural e muito simples: tendemos sempre a torcer pelo
mais fraco. Neste caso, seu aluno. A classe inteira tomará partido
dele, não importa quem tenha a razão.
Se um discípulo fizer um comentário rude, repita o que ele disse e
fique em silêncio por alguns instantes – são grandes as
chances de ele se arrepender e pedir desculpas. Se for preciso,
diga algo como “Estou pensando no que você disse. Podemos
falar sobre isso após a aula?” Outra forma de se lidar com a
situação é responder a questão na hora, ponderadamente – e
para toda a classe, não apenas para quem perguntou. Termine sua
exposição fazendo contato visual com outro aluno qualquer, por duas
razões – a expressão dele vai lhe dizer o que a turma inteira
achou do que você disse, ao mesmo tempo que desistimula outras
participações inoportunas do aluno que o interrogou.
Não transforme sua aula em um debate entre você e um aluno –
há pelo menos mais 20 e tantas pessoas presentes que merecem sua
atenção.
7 – Pratique
Sua aula, como qualquer outra ação, melhora com o treino. Muitos professores se inteiram da matéria, e só treinam a aula uma vez – exatamente quando ela é dada, na frente dos alunos. Não é de se admirar que aconteçam tantos problemas com o ritmo – alguns tópicos são apresentados de maneira arrastada, outras vezes o professor termina o que tem a dizer 20 minutos antes do final da aula. Sem falar nos finais de semestre em que se “corre” com a matéria.
Só há uma maneira de evitar tais desastres. Treine antes. Dê uma aula em casa para seu cônjuge/filhos ou, na falta desses, para o espelho. Não use animais de estimação, são péssimos alunos – seu cachorro gosta de tudo o que você faz e os gatos têm suas próprias prioridades, indecifráveis para as outras espécies. E o que se busca com o treino é,principalmente, uma crítica construtiva.
Fonte: Profissao Mestre








